Gosto de ser e de estar
E quero me dedicar a criar confusões de prosódia
E uma profusão de paródias
Que encurtem dores
E furtem cores como camaleões
Gosto do Pessoa na pessoa
Da rosa no Rosa
E sei que a poesia está para a prosa
Assim como o amor está para a amizade
(Caetano)

quarta-feira, 2 de junho de 2010

Os sussurros que lanço



Nada mais me prende,
pavor algum me surpreende.
Desejo tudo e nada, sincronicamente.
Cobiço ser presa e pássaro errante,
contradição (in)constante;
ser em conflito,
tão certeiramente (in)definido!

O sono é inquietante.
A amargura, uma constante.
Lapsos de exaustão,
tédio angustiante.

Não sei que destino merece
isto ou aquilo de meus versos.
Apenas sei que, no escuro,
meu espírito embebe
as entrelinhas que teço,
os sussurros que lanço,
bradares intrínsecos
à minha própria vontade.

Se um dia não puder mais pintar versos,
de nada passarei a coisa alguma.
Almas em mim emudecerão
e mais um caminhante serei,
em busca de migalhas
para fartar um coração
que não almejará mais que pão
para alcançar a razão
de tantos ruídos
e ranger de dentes.

O bradar de Racha Muda


Atontada em suas fissuras,
pois coitada foste sempre,
Racha Muda refletia
sobre suas excitações,
decidindo expor ao mundo
umas poucas profanações:

as finas flores mirraram,
e espinhos, pois, restaram...
Será a estação enregelada?
Serão os verões adoecidos?

A todo momento é fato:
crenças se desmistificam.
Tudo o que mordaz se sente,
vazio, por demais, transcende...
É culpa da estação embrutecida?
É dolo da infância adormecida?

Caminhos se acasalaram...
Já não há mais livre arbítrio...
Será a frigidez da estação?
Crivos reprimindo o coração?

Amor, por caridade!
Atenção, por amizade!
Carinho, por necessidade!
A mão, por solidariedade!

Somos irmãos, afinal?
Somos comparsas, por sinal?
Oh, universo animal!
Para que tantos rodeios
se um simples aconchego
faz-se muito para um leito
que possui uma rija história
e unicamente um pleito:
seu peito,
onde me deito e,
suavemente...
adormeço.

Ao raiar de todos os dias,
imposta em mim sempre deleito
com tão sublime enleio
de um parcimonioso coito
atravancado pela ausência de...

Tempo!

Amor, por caridade!
Atenção, por amizade!
Carinho, por necessidade!
A mão, por solidariedade!
E não somente seio...
greta...
embocadura...

Essa afável contextura
não talha fina moldura.
É forçoso um algo mais
para apregoar tal cercadura:

Amor, por caridade!
Atenção, por amizade!
Carinho, por necessidade!
A mão, por solidariedade!
E não somente picadura.

sábado, 29 de maio de 2010

À mais divina entre as marias

À mais divina entre as marias:Maria do Coração de Jesus, e não qualquer Maria; Maria minha, mãe de minha mãezinha.Com muito amor, de sua netinha.

Oh, Pai!
Dou-lhe infinitas graças ainda mais,
pois, em tuas divinas premissas,
em tempos de trevas e agonias,
colocaste, no meio de nós,
tão repleta de glórias e encantos,
a mais formosa criatura,
que mimoseia cada dia
com altivo perfume
e inigualável magia!

Louvo,
exultante de alegria,
tua Terra
e tudo o mais que há nela.
Enalteço, todavia,
princípio, meio e fim
de tanta compaixão e sabedoria,
pois, em tempos de amargura e estupidez,
colocaste no meio de nós
esse casto presente de Luz
chamado Maria!

Maria Amor
Maria Inocência,
Maria Flor,
e não qualquer Maria.
Teu nome é claridade
para qualquer temor
e tua missão, caridade,
cuidado, perdão,
aconchego, calor!

Não é por acaso, Maria,
que estarás para sempre
cravada no cerne da Luz,
fundindo teus benditos acordes
à Altíssima Sinfonia,
ao mais casto dos milagres:
Nosso Senhor Jesus!

Maria Maria,
honro teus préstimos
e professo-lhe serventia
pois és tu,
e não qualquer Maria,
a maior das alegrias,
a mais digna criatura,
a mais radiante energia.

Maria,
sopro de vida,
antes de bendizermos tua alcunha
faz-se cogente a reverência,
visto que não és qualquer uma,
mas a mais bem escolhida,
entre mães e mulheres, para,
no coração do Senhor Jesus,
imperar,
repleta de graça e revelia.

Maria, simplesmente,
Maria, fulgor do dia,
aquela que, unicamente,
entre mil senhorias,
o mais pleiteado recinto habita.

Mulher-acorde
da mais altiva sinfonia,
metade brotada no cárcere
do mais casto dos milagres.

Não sendo, pois, qualquer Maria,
Maria és, personificada em Divina Flor,
acolhida pelo próprio Sagrado
para habitar o Imaculado,
Onipotente Coração de Nosso Senhor!