Gosto de ser e de estar
E quero me dedicar a criar confusões de prosódia
E uma profusão de paródias
Que encurtem dores
E furtem cores como camaleões
Gosto do Pessoa na pessoa
Da rosa no Rosa
E sei que a poesia está para a prosa
Assim como o amor está para a amizade
(Caetano)

terça-feira, 19 de agosto de 2014

Prisão mental


Quanto mais Zazá mergulha em seus pensamentos, mais sente que precisa adentrar com tudo nesta empreitada dolorosa feita de sentimentos que imperam, minando a razão, migrando-a para um vazio tão grande que se sente incapaz de sair dele. Chega a pensar que a saída não existe, e que tudo o que construiu foi a partir de escolhas que não eram suas essencialmente, mas de uma parte de si que abomina a essência e os reais desejos que lhe imperam na alma.

Por quê? A resposta não é simples nem definitiva, mas perpassa pela abominação de um eu puro e de uma biografia, para ela, irrelevante. Um ego absurdo que, de fato, adoece-a e prende em um abismo profundo e sem perspectivas.

Que Deus proveja mudanças e retornos misteres sem dor, pois prefere a morte a ter de pagar o preço.

E quem não prefere?

Quanta prepotência sua imaginar que Deus está somente ao seu lado...

Sua arrogância fede longe.


sábado, 14 de junho de 2014

Saudade


A saudade é um sentimento cretino, e envelhecer se torna um tanto penoso também por causa dela, pois nos faz reconhecer um campo vasto de poesias arraigadas tão profundamente na alma que acabamos por enxergar em muitas coisas lirismos que nunca existiram no passado relembrado. Assim, na velhice, nossa lista de dores ganha o item mais sofrido de todos, por ser o único que não pode ser curado com medicação concreta.

Mas coitada da vida se não fosse este adereço denominado “poesia”, aflorado por letras, melodias, saudades, fotografias! Esse lirismo modifica cores, cheiros, vibrações, e, por causa dele, somos motivados a querer continuar prosseguindo ou voltar e caminhar tudo de novo, pelas mesmas estradas ou por rumos diferentes.

Reticências


As fases da vida precisam ser vividas uma a uma, para que seja mais viável construir um futuro menos cheio de culpas. Contudo, uma coisa é certa: sempre haverá saudade das etapas em que sérias responsabilidades não eram empecilhos ao bom aproveitamento das estações e um arrependimento eterno por não as ter aproveitado mais.

Intensidade não é sinônimo de completude; ao final, permanecerá o desejo de reviver algumas fases muitas vezes, pois as brechas para acertos e repetições serão sempre numerosas. É um jogo complexo, xadrez, com finais sempre culminando em quadros ricos em interpretações e contemplações.

Viver, para mim, é a maior demonstração de amor e caridade de Deus por nós; é tão bom que, quando vejo alguém perdendo tempo com coisas que não valem a pena, tenho vontade de apresentar ludicamente os prejuízos que esse desperdício poderá representar no futuro. Sinto pena, mas cada um precisa se dedicar a sua caminhada da forma como vê e sente, e ninguém tem o direito de interferir diretamente em tarefa tão séria. É preciso continuar, portanto, seguindo do jeito que dá.